QUANDO NIETZCHE CHOROU


(Leandro Diniz)
Foi com incrível rapidez que devorei esse exemplar, o que pode ser facilmente explicável em algumas colocações. O que falar de um livro que trata de um possível começo da psicanálise de forma séria e profunda? O que dizer de uma clarificação da personalidade de um dos mais cativantes e solitários filósofos do fim do século XIX? E o que dizer de um possível embate psicológico entre o Dr. Breuer (verdadeiramente um dos pais da psicanálise) e o poderoso e reservado Fiederich Nietzsche?
Sem criar estruturas narrativas complexas e diferentes esse livro faz o básico com incrível capacidade o que já é louvável por si só, quando vemos livros famosos sem o mínimo necessário para se tornarem tais a não ser pela publicidade e pelo esnobismo das classes ditas cultas que lêem e acham bom qualquer porcaria que seja lançada como um sucesso de vendas.
Não é só em seu conteúdo que o livro se destaca, mas também na forma como é proposto, magistralmente escrito ele possui todas as formas variadas e até hábeis de manter o leitor concentrado na trama, que muito bem (também) desenvolvida deixa momentos de tensão, angústia e relaxamento bem distribuídos ao longo dos capítulos, que chamam uns aos outros em seqüência, obrigando o leitor a não parar de ler até que vire as ultimas páginas, ficando com aquele sentimento de quero mais, já que está tão apegado aos personagens.
É com total cuidado que ele propõe possíveis diálogos entre os protagonistas, que existindo na vida real nunca se encontraram de fato. Refletem o peso de uma pesquisa cuidadosa de como eram, se comportavam e provavelmente agiam os personagens. Aplicando enxertos de cartas que realmente foram trocadas entre algumas pessoas como o grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé, ele dá mais densidade e desconfiança da veracidade dos fatos, essa que só vamos descobrir ao ler os seus comentários no fim do livro, recomendo que leiam o livro sem saber o que é verdade ou invenção, pois dá um sabor maior à leitura.
Os cenários criados e suas interpretações assim como possíveis origens do estudo dos sonhos é algo que soa totalmente verossímil ajudando o leitor a entrar dentro da historia e praticamente viver conjuntamente essa historia que em sua origem é misteriosa, depois ficando angustiante e em seu final concluindo de forma tocante e emotiva. Todos os sentimentos são muito bem construídos passando ao leitor de forma automática e profunda.
Quanto aos artifícios utilizados são muito bem colocados, como perguntas no final de um capítulo que serão respondidas logo no começo do próximo, fazendo você virar a página automaticamente, a forma de propor o embate entre Breuer e Nietzsche que é feito de várias sessões e você não consegue terminar uma sem saber o que vai ser dar na próxima e quando essa freqüência é descontinuada você já está tão absorto na historia que esquece da vida. Outra qualidade é colocar o suspense logo de cara no primeiro capitulo nas primeiras páginas, deixando a pulga atrás da orelha sobre o que vai dar tudo aquilo.
Enfim, o livro é, além de ser um livro pop, muito bem escrito e magistralmente tocante, tanto para quem aprecia uma boa estrutura literária, quanto para quem quer conhecer, minimamente que seja, os personagens (que foram seres reais) ou quem é interessado em fatos históricos em uma reconstrução angustiante de uma época em que o homem se via preso (o que não mudou muito até hoje). Ou até para aqueles que se interessam em possíveis acontecimentos históricos, que nunca ocorreram.

A EXISTÊNCIA PRECEDE A ESSÊNCIA: A CONDIÇÃO HUMANA EM SARTRE

         Autor do texto - Evaldo Rosa de Oliveira
Introdução
O filósofo francês Jean-Paul Sartre não escreveu apenas ensaios, romances e peças de teatro, mas também obras filosóficas. Sua filosofia consiste em colocar o homem como responsável por todos os seus atos. Lançado em um mundo sem justificativa, o indivíduo projeta-se no futuro, escolhe um sentido para sua vida, já que ela não possui um sentido a priori.
O existencialismo de Sartre está inteiramente estruturado no princípio filosófico de que no homem a existência precede a essência, e esta é construída através da liberdade responsável que o homem manifesta ao escolher sua própria vida. Em sua obra, Sartre não deu uma importância excessiva ao problema religioso, pois não estava preocupado em discutir acerca da existência ou não existência de Deus. Nada, nem mesmo Deus, pode justificar o homem ou retirá-lo de sua liberdade total e absoluta, ou ainda salvá-lo de si mesmo. No presente texto, busca-se fazer uma análise da compreensão que Sartre tem acerca do homem.
A existência precede a essência
O conceito “existencialismo” começou a ser usado depois da I Guerra Mundial, com a finalidade de designar um amplo movimento filosófico e teve repercussões em diferentes campos, dentre eles o artístico, o religioso, o ético e o social. É chamado de existencialismo porque seus grandes expoentes interessaram-se fundamentalmente pelo problema da existência humana (MOREIRA, 2003: 337). Conforme o próprio Sartre afirma, o termo existencialismo é empregado de maneira diversa. Alguns pintores, jornalistas e outros grupos foram chamados de existencialistas. A palavra foi associada na época a uma literatura rebelde e solitária. Porém o existencialismo se ocupa dos problemas do homem, chamados “existenciais”, tais como o sentido da vida, da morte, da angústia, da dor etc. A definição mais clara sobre a concepção de homem em Sartre se dá em uma conferência por ele proferida primeiramente em Paris (1946), a qual depois foi repetida privadamente e intitulada O Existencialismo é um humanismo.
Tal conferência foi motivada pela necessidade que Sartre teve em responder as críticas de marxistas e cristãos acerca do existencialismo. Para os marxistas, o existencialismo coloca o homem na condição de desmotivado para agir, desolado, além de acusá-lo de afastar o homem da solidariedade. Acusam-no de um quietismo de desespero e de por fim a uma filosofia contemplativa, pois para Sartre, a mesma nos reconduz a uma filosofia “burguesa”, isto é, ao luxo.
Há dois tipos de existencialismos: o cristão, no qual se destacam Jaspers, Gabriel Marcel e Kierkegaard; e o ateu, representado por Heidegger (embora ele mesmo não o considere) e o próprio Sartre. Tanto uma corrente como a outra comungam de um princípio fundamental: a existência.
Em seu ensaio O Existencialismo é um Humanismo, Sartre usa como exemplo um objeto fabricado para explicar o princípio de que “a existência precede a essência”:
Consideremos um objeto fabricado, como por exemplo, um livro ou um corta- papel: tal objeto fabricado por um artífice que se inspirou de um corta- papel é ao mesmo tempo um objeto que se produz de uma certa maneira e que, por outro lado, tem uma utilidade definida, e não é possível imaginar um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que há de servir tal objeto. Diremos, pois, que, para cada corta-papel, a essência – quer dizer, o conjunto de receita e de características que permitem produzi-lo e defini-lo – precede a existência: e assim a presença, frente a mim, de tal corta-papel está bem determinada. Temos pois uma visão técnica. (SARTRE, 1946: 5)
Com isso, os que acreditam em Deus criador, conceberão Deus como construtor superior, o qual confere existência às coisas, modelando-as segundo um conceito ou ideia pré-formada na mente, como faz o fabricante de corta papéis. Já os ateus, embora não acreditem num criador, tomam outro pressuposto: diferente das coisas, animais, o homem tem a existência precedida pela essência, o que leva Sartre a afirmar que o homem é o único ser que existe antes de sua essência. Com este argumento, Sartre nega a existência de Deus e exalta a existência humana.                Sartre afirma que se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, o homem. Primeiro ele existe, se descobre, surge no mundo e só depois irá se definir, ou seja, primeiramente ele é “nada”, só depois será e o será conforme se fizer, de acordo com o que tiver projetado. Com essa ideia, entende-se que o homem é condenado a ser livre.
A essência do homem vem de suas escolhas. Quando ele é “jogado” no mundo não tem essência, ele é não-ser, ou seja, ausência de ser. Paulatinamente ele vai tomando consciência de sua existência e do grande desejo dele ser, mas ser é acabado, realizado. Caso o homem fosse isso ele seria uma coisa, ou seja ser Em-si. E diferente das coisas que são em si, ou seja, já estão prontas, dadas e acabadas como acontece com a pedra, a mesa e tantos outros. No homem acontece diferente, porque no momento em que ele é “jogado” no mundo ele começa a se construir, ou seja, o homem é uma eterna indeterminação.
É importante destacar que o ser Em-si é entendido como qualquer objeto existente no mundo e que possui uma essência definida. Um livro, por exemplo, é um objeto criado para suprir uma necessidade: a leitura. Um ser Em-si não tem potencialidades nem consciência de si ou do mundo. Apenas é. Já o ser Para-si, consciência humana, é um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu próprio respeito e a respeito do mundo, e é justamente isto o que o difere dos demais seres. O Para-si não tem uma essência definida.
O homem é antes de qualquer coisa um projeto* que se vive subjetivamente, nada existe anterior a este projeto. Ele será o que ele tiver projetado e não o que ele quiser ser. Para isso, é necessário destacar que há dois tipos de subjetivismo: a escolha do sujeito individual por si só; e o outro a impossibilidade para o homem superar a subjetividade humana (SARTRE, 1946: 6).
Ao afirmar que o homem escolhe a si próprio, entende-se também que o homem escolhe todos os homens. Pois, segundo Sartre, não há nenhum dos atos que ao se criar o homem que ele deseja ser, não se crie também uma imagem do homem conforme ele julga que deva ser.  Portanto, o homem nunca pode escolher o mal, pois mesmo o mal sendo escolhido, seria um bem (SARTRE, 1946: 5). A situação do homem existencialista, que não tem um Deus para se apoiar, mas ao contrário, tem a responsabilidade de sozinho se realizar e se construir, é a de alguém que se depara com a angústia, o desespero e o desamparo.
Angústia
O existencialismo chega a afirmar que o homem é angústia, mas não no sentido sombrio e triste da vida humana. Isso significa que, reconhecendo-se livre, ele percebe que não é apenas o que escolheu ser, mas também um legislador, que ao escolher escolhe também toda a humanidade. O indivíduo se angustia porque se vê numa situação em que tem de escolher sua vida, seu destino, sem buscar apoio ou orientação de ninguém (SARTRE, 1946: 8). Com isso, o homem percebe o tamanho de sua responsabilidade e se angustia, pois ao mesmo tempo ele está escolhendo só por si e também por toda a humanidade. Mesmo aqueles que não mostram angústia ou dizem não sofrê-la, experimentam tal condicionamento.
O existencialismo não tem pejo em declarar que o homem é angústia. Significa isso: o homem ligado por um compromisso e que se dá conta de que não é apenas aquele que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si próprio, a humanidade inteira, não poderia escapar ao sentimento da sua total e profunda responsabilidade. (SARTRE, 1946: 7)
O homem não pode deixar de ter na decisão que tomar, uma certa angústia. Segundo Sartre, todos os chefes a conhecem, o que não os impede de agir, mas ao contrário é condição de sua ação. Ao escolher uma possibilidade dentro da pluralidade possível, o homem se dá conta de que ela só tem valor por ter sido escolhida (SARTRE, 1946: 8).
Desamparo
Outra condição em que o homem se encontra é a de desamparo, a qual se dá pelo fato de ele ter que escolher a vida e seu destino, sem nenhum apoio ou orientação de outrem. O homem existencialista se encontra desamparado, pelo fato de não haver mais desculpas para ele. Porque, se é livre, projeto de si mesmo, autor de seu destino, ele é inteiramente responsável por si mesmo (NOGARE, 1977: 146). Percebe-se que o homem existencialista não tem mais em quem colocar suas desculpas, mas se encontra em condição de liberdade, ele está condenado a ser livre. Uma vez lançado no mundo, ele será responsável por tudo que fizer, o que o faz se sentir desamparado.
Sartre retoma Dostoievski, o qual dissera: “se deus não existisse, tudo seria permitido” (apud SARTRE, 1946: 9), e é aí que se encontra o ponto de partida para o existencialismo. Com efeito, tudo é permitido, se Deus não existe, o homem fica abandonado, pois não encontra em si nem fora de si um apoio, não tem a quem se apegar, e se vê obrigado a contar apenas com seus próprios recursos. Nesta condição, o homem não pode contar com nenhuma humanidade, nenhum partido, nenhum companheiro que possa ajudá-lo, mas única e exclusivamente consigo próprio, isto é, com suas próprias forças.
Desespero
A última condição na qual o homem se encontra é a de desespero pelo fato dele se sentir desamparado.  Desespero para Sartre é “agir” sem esperança.
Quanto ao desespero, esta expressão tem um papel extremamente simples. Quer ela dizer que nós nos limitamos a contar com o que depende da nossa vontade, ou o conjunto das probabilidades que tornam a nossa ação possível. Quando se deseja uma coisa, há sempre uma série de elementos prováveis (…) a partir do momento que as possibilidades que considero não são rigorosamente determinadas pela minha ação, devo desinteressar-me porque nenhum Deus, nenhum desígnio pode adaptar o mundo e seus possíveis a minha vontade. No fundo quando Descartes dizia:  ‘vencemos-nos antes a nós do que ao mundo’, queria significa a mesma coisa agir sem esperança. (SARTRE, 1946: 12)
Segundo Sartre, censuram o existencialismo não pelo seu pessimismo, mas sim pela dureza otimista, com a qual demonstra o homem como realmente ele é, com suas grandezas e pequenez. “A doutrina que vos apresento”, diz Sartre, “é justamente a oposta ao quietismo visto que ela declara: só há realidade na ação; e vai aliás mais longe, visto que acrescenta: o homem não é senão o seu projeto, só existe na medida em que se realiza, nada é  portanto, nada mais que o conjunto de seus atos, nada mais do que a sua vida” (SARTRE, 1946: 13).
Conclusão
O homem sartreano é aquele que está por fazer-se, não tem valores que o precedem. Ao mesmo tempo em que Sartre parte do pressuposto de que Deus não existe, o homem é elevado de tal forma que se torna quase um “semideus”, auto-suficiente, capaz de criar sua própria essência.
Sartre procura refletir em sua filosofia o homem que sobreviveu à Segunda Grande Guerra e que tem diante de si a necessidade de pensar a partir de si mesmo. Afirmar que a existência precede a essência, não é simplesmente suprimir Deus. Dizer que a existência precede a essência é colocar o homem como um “nada” lançado no mundo, desprovido de uma definição. O homem surge no mundo e, de início, não é nada; só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Ora, isso implica também o fato de que o homem só se faz num constante projeto, num incessante lançar-se no futuro. Somente assim o homem irá se definir como ser existente e consciente de si mesmo. Lançado no mundo sem perspectivas pré-determinadas, o homem determina sua vida ao longo do tempo e descobre-se como liberdade, ou seja, como escolha de seu próprio ser no mundo. Eis a origem da angústia, do desamparo e do desespero.

MUNDO VIRTUAL...UM DESABAFO

Sentado na frente da tela do computador, tento compreender o que esta escrito, mas não consigo.
Me sinto um ignorante, velho e acabado.
Levanto vou até a janela, acendo um cigarro, abro uma lata de cerveja e começo a  pensar nessa  minha falta de compreensão.

Será que sou ignorante e o que aprendi durante a vida não me valeu de nada?
Será que estou ficando velho e não consigo viver neste mundo virtual?
Será que estou acabado e o que me espera no futuro é um sofá no canto da sala para ninguém ver?

O cigarro acaba, a lata de cerveja esta vazia.....mas a minha mente começa a delinear uma resposta.
Abro uma outra lata de cerveja, volto para frente da tela do computador coloco minhas mãos sobre o teclado e começo a escrever estas linhas.
No início não compreendia o que estava escrito, mas agora que comecei a escrever minha mente começa a viajar, dou mais um gole na cerveja e continuo a escrever.

Ignorante!.....jamais, a vida me ensinou a ter amigos que conversam comigo presencialmente utilizando frases completas e  conclusivas, criar uma linha de raciocínio própria sem precisar um copiar/colar e principalmente saber ouvir, entender e assim poder gerar conhecimento.

Velho!.....pode até ser, mas a velhice é uma consequência de quem vive, por consequência disso vivo intensamente, converso muito, acredito naquilo que penso e tenho a certeza que não serei lembrado pelo que copie/colei e sim por aquilo que falei e escrevi. E como falou o General Douglas MacArthur em 1945....

”És tão jovem quanto a tua fé; tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a tua confiança em ti e em tua esperança; tão velho quanto ao teu desânimo.
Serás jovem enquanto te conservares respectivo ao que é belo, bom e grande; respectivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito”

Acabado!.....nunca, porque tenho forças para andar com minhas própria pernas, não copio pensamentos.....crio pensamentos. E quando a vida começar a se esvair terei mãos em meu ombro e não uma coroa de flores virtual ou uma mensagem de condolências criptografada na tela do computador.

E neste fim da escrita, levanto um pouco e percebo que a lata de cerveja esta novamente vazia.
Abro mais uma lata de cerveja, só que desta vez não vou a janela, volto para a frente da tela do computador , olho para o teclado, acendo um cigarro e volto para terminar o que comecei a escrever.

A viagem mental termina e concluo.....
Pena!.....Daquele que não consegue sequer escrever uma frase que agregue algum valor para a compreensão das coisas da vida.
Daquele que se tranca em seu quarto e passa o dia sem absorver conhecimento.
Daquele vê os amigo somente pela webcam e conversa pelo teclado utilizando pictogramas.

Paro....o cigarro na mão, a cerveja no final e a ultima escrita na tela do computador.....
Uma mão encosta no meu ombro.....respiro fundo..... levando e saio caminhando em direção ao sol que iluminará as paginas do meu livro da vida....Não virtual e sim real.

(Jorge Marques)

UM FILHO...UMA DESPEDIDA...UMA LÁGRIMA


Carta escrita por Rodrigo Sanchez Marques da Silva em 05 de Maio de 2011, dia em que saiu de casa para ter a liberdade de viver por si só.

Pai! Acho que em minha mudança não cabe o sentimentalismo oriundo as partidas.Quando sai de Peruíbe não esperava que eu fosse encontrar uma pessoa tão retilínia, provida de tantos adjetivos positivos.
Penso que no decorre do tempo nos transformamos em parte integrante um do outro.....como se o mundo se importasse com isso.....no entanto tenho muito a agradecer em relação a acolhida, conselhos, reprimentas pacíficas, bem como bebedeiras que compartilhamos.
O mundo é muito grande, com uma infinidade de seres, mesmo assim você é um dos raros, é um dos imortais do poema de Hesse.
Existem seres que almejam a vida inteira ser homens, uns por sorte chegam a ser homens da cintura para baixo, outros que são metade homens e metade sapos, mas independentemente de lograrem ou não em seu intento, todos tendem ao mesmo fim, todos provieram do mesmo início: as mães.
Suponho que a humildade, a inteligência, a paciência e o desprendimento de bens materiais sejam suas maiores virtudes. Teimosia e implicância, seus maiores defeitos.
Acho que auferi muitos ganhos com o tempo que convivi com você, com a Vida e os demais integrantes da família.
Neste tempo aprendi a amar meus irmãos, a conviver com diferenças discrepantes, conviver com hábitos que sempre repugnei.
Sei que tenho uma divida babilônica com você, pagarei com a minha gratidão.
Em todo início reside uma ruptura. Não sei bem ao certo o que quero, muito menos sobre os caminhos inóspitos que transpassarei, apenas espero cehegar a um lugar que me traga refrigério e paz de espírito.
Desejo de todo o coração que você alcance seus anseios, que realize seus sonhos mais entranhados, e que se um dia precisar de alguém que te ampare, possa contar comigo, como eu sempre contei com você.
Os mistérios da vida inexplicável não tentarei desvendar, muito menos contestar verdades irrefutáveis, mas espero chegar à algo que não sei bem ao certo. Sei que o mundo não é bom como contos de fadas, no entanto, sei também usar de açoite quando me tratam com brutalidade, entrementes sei também prover carinho para quem me despende afeição. sei que isso não é o bastante para sobreviver em um mundo conspurcado, mas ajo de boa fé.




GNOSTICISMO. QUEM SÃO OS GNÓSTICOS?




No sec II e II depois da morte de Cristo, o movimento religioso cristão estava em plena expansão mundial. Desde o seu berço na distante Judeia, agora era um movimento religioso em contagiante evolução, proliferando desde a Europa á Ásia. Foram nesses tempos que o imperador romano Constantino se converteu ao Cristianismo, e também se concluiu a escrita do Novo Testamento. È no fervilhar de ideias, entre as discussões teológicas e a construção da doutrina oficial da igreja crista, que neste período histórico nasce o Gnosticismo.
Nesta época, ( sec II e II d.C), os livros que agora constam do novo testamento estavam concluídos, e contudo o novo testamento enquanto cânone ainda não estava formalizado. Foi das discussões, debates e confrontos entre as varias visões do cristianismo florescente, que se acabou por definir quais os livros que acabariam por constituir aquilo que hoje conhecemos pelo Novo Testamento. Fora muitas as disputas, e apenas nos fins do sec IV é que se deverá ter chegado a um consenso: o cânone passaria a incluir os 4 evangelhos, os Actos dos Apóstolos, as cartas de Paulo, e um grupo de outras epístolas, assim como o Apocalipse de João. Mas se muita discussão houve, é porque para alem destes 4 evangelhos, dezenas e dezenas de outros evangelhos existiam , tais como: o evangelho de Tome, o envagelho de Judas, e ate mesmo o evangelho de Maria. Cada um desses evangelhos, agora considerados apócrifos, ( porque não foram incluídos na doutrina oficial da igreja Cristã, expressa no Novo Testamento), expressava visões substancialmente diferentes de Jesus, e ate mesmo de Deus.
Foi em todo este ambiente de disputas teológicas, que nasceu o movimento gnóstico e o gnosticismo. O gnosticismo é por muitos considerado a vertente mística do cristianismo, assim como a cabalah é a vertente mística do judaísmo. No entanto, há quem afirme que mais que uma vertente mística, o gnosticismo constitui uma verdadeira ramificação da doutrina crista.

Como nasce o Gnosticismo? O que é na verdade o gnosticismo?
No seio de toda a disputa e discussão teológica que sucedeu nos primeiros 4 séculos do cristianismo, destacaram-se 3 grupos de cristãos primitivos distintos.
Haviam um primeiro grupo constituído essencialmente por Judeus. Para esse grupo de Judeus convertidos ao cristianismo, o Deus de Jesus era o Deus de Moisés e o Deus de Abraão. Por isso, Jesus era o Messias prometido por Deus ao povo judeu, e por isso os seguidores de Jesus tinham de ser judeus, convertendo-se ao Judaísmo. Este grupo de cristãos judeus professava o mais profundo monoteísmo. Assim sendo, professavam que apenas podia haver um Deus, e que Jesus não podia por isso ser uma espécie de um segundo Deus. Como tal, estes judeus cristãos afirmavam que Jesus era um homem normal, de carne e osso; que havia nascido de uma relação sexual normal entre José e Maria; que Maria não era por isso virgem.
Havia depois um segundo grupo de cristãos primitivos, que encontrou em Marçal ,(Sec II d.C), o seu mais famoso teólogo e filosofo. Para este teólogo, haviam um nítido contraste entre a Lei de Moisés, ( Antigo Testamento), e os escritos evangélicos, ( que mais tarde constituiriam o Novo Testamento). Claramente que a Lei de Moisés descrevia um Deus terrível, ciumento e vingativo, ao passo que a mensagem de Jesus retratava um Deus de amor e sabedoria.
A conclusão de Marçal é obvia: obviamente isto sucede, porque se tratam de 2 deuses diferentes; são 2 os deuses que estes 2 relatos históricos, ( antigo testamento e novo testamento), estão descrevendo.
Marçal conclui por isso que se tratam de 2 deuses diferentes: um é o Deus do antigo testamento, o Deus dos Judeus, o Deus que criou este mundo físico. Esse Deus escolheu os Judeus como seu povo, e deu-lhe uma lei dura e implacável. Por outro lado, Jesus advem de um Deus superior, um Deus maior, um Deus de luz, paz, sabedoria e amor. Jesus, segundo Marçal, tinha sido enviado por esse Deus maior para salvar os Judeus do seu Deus irado e vingativo, ao passo que para oferecer a toda a humanidade o caminho da salvação atraves desse Deus superior.
Por considerar que o Deus dos Judeus era o Deus criador do mundo material, e que Jesus era Deus do outro Deus superior que é um Deus apenas de espírito, Marçal concluiu que Jesus não poderia ser mais senão: apenas um espírito. Deus viveu, comeu, bebeu, pregou e morreu. No entanto, toda a dimensão física dessa existência foi uma mera ilusão.
Completamente descabido? Na verdade, se olharmos os textos sagrados, até nem é tão descabida a ideia defendida pelo famoso Teólogo Marçal. Em rigor,  não é difícil encontrar exemplos deste tipo de fenómeno na Bíblia, uma vez que no próprio antigo testamento, ( Livro de Tobias), é descrito como o anjo Rafael habitou neste mundo, parecendo ser um mero mortal humano e iludindo todos os que o rodeavam quanto á sua verdadeira essência.
Por ultimo, existiu entre o sec II e IV d.C., um terceiro grupo de Cristãos primitivos, chamados «gnósticos». Para os gnósticos, Jesus não era nem apenas um mero mortal, nem apenas um ser divino; para os gnósticos, Jesus foi um ser humano de carne e osso, que foi habitado por um espírito celestial.
Vamos então saber mais sobre os gnósticos e o gnosticismo:
Muitas das doutrinas gnósticas foram beber a alguns dos princípios teológicos expressos no ancestral livro de Henoc.
O II livro de Henoc foi escrito por volta do Sec II a.C. em terras de Israel. Muitos afirmam que este livro não foi colocado no Antigo Testamento, porque expressava ideias e noções contraditórias ao seu mais famoso parente literário, o Livro de Génesis.
No Livro de Henoc, fica viva a ideia que todos nos somos detentores de um enorme poder espiritual, e que podemos alterar o rumo do destino. No entanto, o Livro de génesis tende a ver o homem enquanto um ser miserável, feito do pó, caído em pecado e por isso manchado pelo mal, condenado á decadência, ao sofrimento e á mortalidade.
Ao contrário, o Livro de Henoc expressava uma visão altamente espiritual do homem, concedendo-lhe faculdade que lhe permitem ascender a esferas espirituais superiores, e mesmo á imortalidade.
Por isso mesmo, o Livro de Henoc conta entre outras, a historia do misterioso e imortal Melquisedec, o sumo sacerdote que também é referido na versão oficial do Antigo Testamento, e que neste livro é retratado como exemplo dos poderes espirituais que habitam dentro do ser humano. 
Claramente a visão do Livro de Génesis era a mais ortodoxa, e o livro de Henoc foi excluído do Antigo Testamento.
No Livro II de Henoc, ( sec II a.C), encontramos expressa a ideia de que o processo da criação do mundo físico em que existimos, proveio de uma vontade divina que deu existência e uma grande classe de seres celestiais.
Esses seres celestiais, chamam-se Aeons, sendo que esses seres celestiais são emanações do Eterno, ou se quiséssemos, do Criador.
Ao todo, o conjunto de Aeons constituem a Pleroma, ou a plenitude divina.
Um desses Aeons, tomou a forma de Adão, sendo que nesse sentido, Adão foi como a semente de Deus neste mundo.
Pois os gnósticos defenderiam séculos mais tarde esta mesma visão teológica, afirmando assim que tal como Adão foi uma manifestação corpórea de uma essência celestial, o mesmo quanto a Jesus e Maria Madalena.
Afirmavam os gnósticos, que também Jesus e Maria Madalena foram incarnações de Aeons, ou seres celestiais.
Por tudo isso, os gnósticos tendem a ver Jesus enquanto uma dualidade: por um lado, trata-se um ser humano perfeitamente comum e normal, de carne e osso; por outro lado, dentro do ser humano mortal, habitou uma essência divina, ou um ser celestial.
Afirmam os gnósticos, que esse ensinamento é claro se lermos os evangelhos, pois ali poderemos encontrar que:
1-Jesus chegou a afirmar que o corpo é apenas um receptáculo para um espírito
2-No momento da morte, Jesus grita: «Pai, porque me abandonaste?»; uma declaração que claramente faz entender que o Jesus humano estava falecendo e o ser celestial que nele habitava abandonou aquele corpo, ascendendo ás realidades superiores
3-Jesus, por via de uma metáfora e quando falando do Templo de Jerusalém, acabou declarando que Ele mesmo era um templo no qual habitava o espírito do filho de Deus.
Por esse motivo também, dizem os gnósticos que depois da ressurreição, ( tal como descrito nos evangelhos), Jesus teve de regressar e explicar as escrituras aos seus discípulos, ou seja: Jesus regressou para trazer este conhecimento espiritual secreto aos seus seguidores, ate mesmo porque os ditos não tinham percebido claramente a sua mensagem ao longo da sua pregação.
Para o gnosticismo, fica assim demonstrado que a sabedoria espiritual e celeste, é a via da evolução espiritual e da salvação, porquanto foi essa a chave que Jesus, depois da morte, entregou aos seguidores que entendeu serem merecedores.



A IGREJA CATÓLICA E A MAÇONARIA





"A carta abaixo é de autoria de um sacerdote zeloso da década de 50 chamado Ascânio Brandão, que foi pároco de São Dimas, na cidade de São José dos Campos. Fala sobre a posição da Igreja acerca da maçonaria e as conseqüências que a participação de um católico nessa ordem secreta acarreta para a vida cristã desse indivíduo. Boa leitura!"






Vim a saber com grande amargura que em nossa Paróquia de São Dimas se vai fundar uma Loja Maçônica, cuja sede, já preparada na Vila Ema, receberá dentro em breve os novos adeptos. É meu dever de Pastor das almas prevenir o rebanho que me foi confiado.
Ninguém se iluda. A Maçonaria é uma seita secreta condenada reiteradas vezes pela Igreja Católica, e não é possível a nenhum católico ser a um tempo maçom e filho da Santa Igreja. Há uma incompatibilidade radical entre a Maçonaria e a Igreja Católica.
Por mais que os maçons procurem iludir os fiéis dizendo se tratar apenas de uma sociedade beneficente e de fins altruísticos, não é possível conciliação alguma entre as duas ideologias. Não se pode ser católico e maçom. Ficam pois assim prevenidos todos quantos estejam para se filiar à Maçonaria que incorrem na pena de excomunhão.
E como excomungados não podem participar da vida da Igreja, estão excluídos do grêmio da Santa Igreja desde o momento em que prestem o juramento maçônico. Esta excomunhão foi lançada pelos Papas Clemente XII, Bento XIV, Pio VII, Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, Pio X e Pio XI. O Código do direito Canônico nos cânones 342, 693, 1065, 1241, 1453, 2353, 2339, inculca penas contra a Maçonaria e os que a ela se filiam.
Que mais é preciso para um católico? A Igreja venerável que luta há vinte séculos pela integridade da fé há de ter razões muito graves para fulminar tais e tão graves penas. Querem alguns católicos dar lições à Velha Igreja de Cristo? Quem deseje obstinadamente se filiar a Maçonaria que o faça. Não podemos lhe tirar a liberdade.
Todavia fiquem sabendo todos, e para evitar futuros dissabores e mal entendidos, quem se faz maçom não procure a Igreja para os Sacramentos, nem para qualquer ato da sua vida espiritual e litúrgica. O excomungado, como diz a palavra, está excluído da Igreja Católica. Não pode existir católico maçom nem maçom católico. Nada de confusões!
Se, por desgraça, algum dos meus paroquianos se fizer maçom, julgue-se excluído do seio da Igreja. É um excomungado na legítima expressão do termo. E como tal não pode receber os Sacramentos, a não ser que renuncie a Maçonaria e abjure o erro. Não pode ter funerais na Igreja após a morte, nem Missa de sétimo ou trigésimo dia, etc.
Não se celebram Missas por excomungados. Previno pois às famílias dos mortos na Maçonaria sem se terem reconciliado com a Igreja e abjurado a seita, que não insistam, nem sejam imprudentes querendo exigir sufrágios por defuntos maçons.
O maçon não se apresente como padrinho de batismo ou de crisma, nem tome parte alguma em festas de Igreja ou em qualquer atividade religiosa.
Fiquem todos pois assim prevenidos para que não venham criar casos nem celeumas na Igreja, em lamentáveis questões que já tem trazido sérios conflitos entre sacerdotes e maçons. Peço aos maçons de minha paróquia um pouco mais de coerência e sinceridade nas suas atitudes. Considerem-se excomungados, desligados da Igreja Católica na qual foram batizados e viveram, e à qual renunciaram pela Maçonaria, seita condenada muitas vezes pela Santa Igreja. E repito: Não se pode ser católico e maçom, nem maçom católico.
Nada de confusões! Não desejo abrir luta contra a Maçonaria, nem polêmicas estéreis. Quero, e isto é meu dever, avisar o rebanho que me foi confiado que a Maçonaria é uma sociedade secreta, dezenas de vezes condenada pela Igreja, e que são excomungados os maçons. E peço aos maçons de minha paróquia esta sinceridade, esta coerência de atitudes: não se imiscuam em coisa alguma da vida da Igreja, e como excomungados, não se digam católicos. “Tirem a máscara” como dizia Leão XIII.
E fiquem avisados os fiéis para que não ousem convidar para padrinhos de batismo ou de crisma ou testemunhas de casamento, ou festeiros, enfim para qualquer manifestação externa da vida da Igreja, a um maçom. Evitemos incidentes desagradáveis. Sejam prudentes os senhores maçons, e como excomungados retirem-se da Igreja.
Este aviso será afixado na porta da Matriz de São Dimas e de todas as Igrejas da paróquia.
São José dos Campos, Dezembro de 1953.
Mons. Ascânio Brandão
Pároco de São Dimas

MARIA MADALENA - MISTÉRIO E ORAÇÕES


Maria Madalena. Maria Madalena, foi provavelmente um dos mais famosos e controversos seguidores de Jesus, encontra-se atualmente atirada para o esquecimento, entregue a um segundo plano da vida e obra de Jesus. Saiba tudo sobre o segredo que Maria Madalena esconde, e o motivo do seu desaparecimento.
Maria Madalena, chamava-se na verdade e em hebraico: «Mariamne».
Maria Madalena, foi provavelmente um dos mais famosos e controversos seguidores de Jesus, encontra-se actualmente atirada para o esquecimento, entregue a um segundo plano da vida e obra de Jesus.
No entanto, nem sempre assim foi. No início do Cristianismo, quando se falava de «Maria», estava-se na verdade falando de «Maria Magdalena», e não de «Maria mãe de Jesus».
Contudo, o papel crescentemente influente que a figura de Maria Magdalena foi assumindo no seio do movimento cristão, ameaçava a hegemonia dos grupos cristãos primitivos que defendiam o primado do apóstolo Pedro.
Supostamente, a autoridade da Igreja assenta na figura do apóstolo Pedro, porquanto é afirmado que foi a ele que Jesus entregou o «governo» e os destinos do movimento religioso por si iniciado.
Por assim ser, o apostolo Pedro e todos os seus sucessores (os Papas), são reconhecidos como aqueles a quem Jesus delegou a missão de guiar e chefiar a evangelização no mundo.
Contudo, nos tempos do cristianismo primitivo, esta noção não era assim tão clara, e muito menos assim tão pacífica.
Muitas outras correntes de pensamento cristão, ( nomeadamente os gnósticos), defendiam que o papel de líder espiritual na herança religiosa que Jesus deixou no mundo, pertencia na verdade a Maria Magdalena e não a Pedro.
Escusado será dizer que a disputa entre estes dois ramos do cristianismo foi grande, e que a historia demonstra que claramente os defensores da tese de Pedro venceram.
Maria Madalena foi por isso atirada para as trevas de um quase esquecimento, e a sua figura, ( a figura de «Maria»), foi substituída pela mãe de Jesus. Mais que isso: verificou-se que ao longo dos séculos, as mulheres, que foram um dos mais importantes pilares da divulgação da fé crista no início do movimento de evangelização, passaram a ser excluídas da Igreja.
Se antes, quando decorria a obra de Maria Madalena e dos seus seguidores, as mulheres faziam parte activa do culto religioso, depois da vitoria clara dos defensores do primado do apostolo Pedro, as mulheres foram totalmente silenciadas e excluídas de qualquer papel relevante nos destinos da igreja.
No entanto, vários são os exemplos históricos do reconhecimento deste apóstolo de Jesus.
Hipólito, Bispo de Roma ( 170-235 d.C), afirmou que «Maria Madalena é o apostolo dos apóstolos». Santo Agostinho, afirmou que «os apóstolos receberam das mulheres o anúncio do evangelho». Pois na verdade, em todos os evangelhos, Maria é descrita como aquela por quem Jesus primeiro procurou logo após a sua ressurreição, ( não o terá feito certamente por mera coincidência); como  aquela que trouxe aos seguidores de Jesus a boa nova dessa mesma ressurreição; e por ultimo como aquela que trouxe aos apostolo as instruções que Jesus tinha deixado neste mundo.

Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena (…) Ela foi anuncia-lo aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorosos. Quando ouviram que ele estava vivo, (…) não quiseram acreditar. (Marcos 16,9-11)

Muito se tem debatido sobre se Maria Madalena seria a companheira de Jesus. Pois muitos teólogos defendem que num pequeno verso dos evangelhos, parece residir um minúsculo facto que ameaça lançar alguma luz sobre o assunto. Assim está escrito no Evangelho de João:

Maria virou-se e viu Jesus de pé (…) então Jesus disse: «Maria». Ela virou-se e exclamou em hebraico:«Rabuni!» (…) Jesus disse: «Não me segures, porque ainda não voltei para o meu pai. Mas vai e dizer aos meus irmãos (….) Então, Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos:«Eu vi o Senhor». E contou o que Jesus tinha dito. (João 20,14-18)

Nestes versos, não só é claro que Jesus escolheu Maria para que fosse a primeira pessoa a vê-lo e a testemunhar o milagre, como é evidente que Maria foi a escolhida para transmitir a mensagem da ressurreição.
Apenas esses 2 factos, fazem dela o «apóstolo dos apóstolos», tal como afirmou o Bispo Hipólito. Mas algo mais surpreendente encontra-se desenhado por debaixo destes versos:
Jesus diz a Maria: «Não me segures», que em hebraico significa basicamente: «não me toques», ou melhor:«Não me abraces». Isso significa que Maria agiu de forma a abraçar Jesus, e isso em si é altamente revelador de uma possível verdade oculta.
Maria «abraça», (ou tenta abraçar) Jesus; ora, defendem alguns historiadores, que nos tempos de Jesus, na sociedade e cultura hebraicas do tempo em que Jesus viveu, uma mulher apenas tocaria, ou abraçaria, o seu próprio marido, pois nunca lhe seria permitido tocar noutro homem senão o seu companheiro.
Apenas este pequeno verso, perdido nos 4 evangelhos, parece possuir um segredo que poucos conhecem mas que muitos suspeitam: Maria terá sido a companheira de Jesus, aquela a quem Jesus deixou a herança espiritual da sua obra.
Foi esta a tese que muitos crentes gnósticos defenderam, e por isso mesmo alguns historiadores argumentam que foi este o motivo que levou os defensores do apostolado de Pedro a erradicar o gnosticismo, bem como a silenciar as mulheres na igreja; defendem essas teses históricas, que no fundo tratou-se de uma manobra de preservação do poder por parte do grupo cristão que a seu tempo, viria a constituir o núcleo duro de poder da igreja católica: o papado, e o Vaticano.
As mais recentes descobertas de textos apócrifos ocorridas no Mar Morto, em Qumran e Nag Hamadi, deram a conhecer com muito acerto histórico, todas as correntes de pensamento gnóstico dos primeiros séculos do cristianismo.
Nesses textos, encontramos sem quaisquer pudores Maria Madalena vista como a companheira de Jesus.

Jesus e Maria, eram tidos como um casal, um casal que incorporou a essência do masculino e do feminino, um casal celestial que incorpora o próprio conceito da criação. Jesus foi visto como um ser humano dentro do qual habitava um espírito celestial superior, ( o de Cristo), e Maria Madalena foi tida também como um ser humano no qual habitava um outro ser celestial , a Sophia, ou a sabedoria.
No texto Pitis Sophia, podemos ler que Jesus assim disse sobre Maria Madalena:

Maria, tu procuras a verdade (…) e, com o teu zelo, levas luz a tudo. (V, 10-13)

Isto revela claramente como Maria é um espírito sedento de sabedoria, e que procurando a sabedoria, encontra a salvação e a luz. Este é o ideal dos cristãos gnósticos na sua mais fundamental essência. Nestes textos, Maria lamenta-se frequentemente de Pedro, dizendo a Jesus que Pedro detesta a «raça feminina». Pois a verdade histórica veio, de facto, a revelar que os sentimentos expressos por Maria Madalena em vida, tinham algum fundamento: as mulheres foram de facto silenciadas pelo movimento apostólico de Pedro.
Nas crenças gnósticas, Maria Madalena não foi apenas uma mulher: ela foi a companheira de Jesus, ela foi a encarnação de uma essência espiritual, ( tal como Jesus), e ela foi a mulher que teve acesso directo, ( através de Jesus), á sabedoria, ( a gnose), e que por isso evoluiu para a iluminação.
Eis o segredo de Maria Madalena, aquela que a historia atirou para o esquecimento, mas que os manuscritos gnósticos agora descobertos vieram trazer novamente á luz do dia.


ORAÇÃO A MARIA MADALENA – I
Santa Maria Madalena, vós que ouvistes de Jesus estas palavras: "Muito lhe foi perdoado porque muito amou... vai em paz, os teus pecados estão perdoados", alcançai-me de Deus o perdão dos meus erros e pecados, deixai-me participar do ardente amor que inflamou o vosso coração, para que eu seja capaz de seguir  Cristo até o Calvário se for preciso, e assim, mais cedo ou mais tarde, tenha a felicidade de beijar e abraçar os pés do Divino Mestre. Como Jesus ressuscitado vos chamou pelo nome "Maria!", ele chame também pelo meu nome.... e eu nunca mais me desvie do seu amor, com recaídas nos erros do meu passado. Santa Maria Madalena, eu vos peço esta graça, por Cristo Nosso Senhor. Amém.

ORAÇÃO A MARIA MADALENA – II
Santa Maria Madalena, o Deus Todo Poderoso, cujo Filho vos purificou de corpo e alma, fostes chamada para ser testemunha da Sua ressurreição. Misericordiosamente vos foi concedida a graça de serdes purificada de todas as enfermidades físicas e morais. Fazei com que também eu, pobre pecador, conheça o poder da vida infinita. Trazei até mim a bênção do Espírito Santo que vive e reina, o poder do Deus único e de Seu Filho Jesus Cristo. Agora, e para sempre. Amém.

ORAÇÃO A MARIA MADALENA – III
Sagrado Princípio, Deus ou Pai Divino, Origem, Sustentação e Destinação de todo e de todos, o Espírito e a Matéria, as Leis Regentes Fundamentais e tudo quanto possa existir, conheçamos ou não, nós os Teus Filhos lotados na Terra.Sabemos nós, Pai Divino, que na ordem dos Espíritos e dos Mundos, existem os mais e os menos evoluídos, pois embora sendo Uma a Origem e Uma a Finalidade, para tudo e todos vigora a Lei de Movimento, Evolução e Reintegração na Tua Unidade, ou Divindade, sendo esse o Sagrado Objetivo da Existência.Somos conscientes, Pai Divino, Daqueles Verbos Teus, Comandantes de Galáxias, Grupos de Sistemas Planetários, Sistemas e Mundos, aonde Filhos Teus vivem, na carne e fora da carne, movimentam atividades e, assim, vão desabrochando Tuas Virtudes Divinas, das quais todos são depositários normais.Sabemos, Pai Divino, que toda Humanidade Planetária tem o seu Verbo Tutelar, o Seu Despenseiro Fiel e Prudente, o Elo Divino entre os Teus mais Elevados Comandos, e os Escalões Imediatos, aqueles que de mais perto assistem aos que peregrinam a encarnação e os reinos espirituais menos elevados.Pai Divino, é em virtude de tais conhecimentos, e inspirados por desejos de trabalho fraterno, no seio da Excelsa Doutrina do Caminho, que rogamos forças e oportunidades à Tua Serva Maria Madalena, a fim de que nos possa auxiliar, no seio de Tua Divina Justiça, por cima da qual ninguém jamais passará.E a ti, Maria Madalena, imortal exemplo de arrependimento de erros cometidos, dedicação ao Verbo Encarnado e à Tarefa Evangelizadora, e modelo de renúncia aos bens mundanos, enviamos o nosso apelo fraterno, para que, no âmbito da Lei de Deus, do Cristo Exemplar e dos Dons do Espírito Santo, coopere na tarefa a que nos propusemos, de cada vez mais conhecer a Verdade e praticar o Bem. Amém.

ORAÇÃO A MARIA MADALENA – IV
Luminosa, a aurora desperta e o triunfo de Cristo anuncia.
Tu, porém, amorosa, procuras ver e ungir o seu Corpo, ó Maria.
Quando O buscas, correndo ansiosa, vês o anjo envolvido em luz forte; ele diz que o Senhor está vivo e quebrou as cadeias da morte.
Mas o amor tão intenso prepara para ti recompensa maior: crês falar com algum jardineiro, quando escutas a voz do Senhor.
Estiveste de pé junto à cruz, com a Virgem das Dores unida; testemunha e primeira enviada és agora do Mestre da vida.
Bela flor de Magdala, ferida pelo amor da divina verdade, faze arder o fiel coração com o fogo de tal caridade.
Dai-nos, Cristo, imitarmos Maria em amor tão intenso, também, para um dia nos céus entoarmos Vossa glória nos séculos. Amém.

ORAÇÃO A MARIA MADALENA – V
Oração-poema de Jayro Luna (usinadeletras.com.br)
Jesus disse. Os teus cabelos são como o rebanho de cabras descendo das vertentes pelas montanhas de Galaad. A mulher sorriu e ficou calada. Depois Jesus disse, Os teus olhos são como as fontes de Hesebon, junto à porta de Bat-Rabim.(José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo)
I
Oh, Salve! Santa Maria Madalena!...
A que a Igreja não reconhece santa!...
A que o povo a diz puta nazarena!...
A que o mundo a julga hierofanta!...
Foste, assim, sempre marginalizada!...
Foste, pois, oculta em vários mistérios!...
Acaso é certo que vieste exilada
Às terras do sul da França? É sério?
Ao Mestre davas toda a atenção,
Ouviste, é certo, palavras secretas
Que nem nos evangelhos tais estão...
Invejavam-lhe ser a predileta...
Estivestes ao seu lado à aflição,
Não lhe negou como outros ascetas...
II
Oh, Salve! Santa Maria Madalena!...
A que a Igreja não reconhece santa!...
A que o povo a diz puta nazarena!...
A que o mundo a julga hierofanta!...
Eu, como tu, sou só um marginal,
Neste mundo não se ouve o que digo,
Meu dia é de sol a sol, de sal a sal!...
Meu rumo é agora ao teu que persigo...
Pareço um mendigo sem o seu pão,
Sou como um cão vadio e sem rota,
Careço du’a voz que não seja um não!...
Ouça, minha santa, esta estranha nota,
Em forma de prece imprópria à mão
Que acaricia um fiel de coração.